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*Por Fabio Tagnin


A cada ano, gerações ainda mais digitais chegam às escolas. São crianças conectadas, acostumadas com instantaneidade, interatividade e autonomia que agitam corpo pedagógico, estrutura e pais. Esses jovens da Geração Z, nascidos a partir da segunda metade da década de 90 e em tempos da conectividade total, dominam as ferramentas tecnológicas desde a primeira infância e já raciocinam de forma participativa e multitarefa.

Este cenário traz à tona discussões de modelos e abordagens pedagógicas que sejam efetivos para as atuais e futuras gerações de estudantes. Faz-se necessária uma mudança do conceito de Educação, buscando o desenvolvimento de competências imprescindíveis para a atual organização.

 

Nos novos ambientes de aprendizagem os próprios alunos trilham seus passos na busca de conhecimento e o fazem com instrumentos que lhes são familiares: as ferramentas tecnológicas.

 

O modelo de Educação um a um, como é conhecido quando cada aluno tem seu computador portátil, é realidade na Argentina, Coreia, Portugal, Rússia, Turquia, entre outros. No México e na Índia, os estudantes que tiveram acesso aos computadores apresentaram um aumento significativo nas notas em comparação com o grupo que não foi exposto às interfaces computacionais.

 

Esses exemplos podem ajudar o Brasil na maior adoção do modelo por meio de iniciativas como o PROUCA, Programa Um Computador por Aluno, instituído em 2010 pela Presidência da República e coordenado em conjunto com o Ministério da Educação. O objetivo é promover a inclusão digital pedagógica e o desenvolvimento dos processos de ensino-aprendizagem de alunos e professores das escolas públicas brasileiras, mediante o uso de laptops educacionais.

 

Segundo a Avaliação de Impacto Social do Projeto UCA-TOTAL, realizada em 2010 pelo Instituto de Economia da UFRJ, sob coordenação do IBGE, nas escolas em que o programa foi adotado, há um maior comprometimento dos alunos, além de motivação e assiduidade às aulas. Os professores relatam maior interação entre os estudantes, melhora no desempenho de certas disciplinas e queda na evasão escolar. Com a possibilidade de levar os computadores para casa, a família também participa do processo de educação básica.

 

As redes municipais e estaduais podem aderir ao programa pelo Regime Especial de Aquisição de Computadores Para Uso Educacional (RECOMPE), usando recursos próprios ou uma linha de crédito especial concedida pelo BNDES. O preço do laptop varia conforme a região, mas o valor unitário não passa de R$380.

 

Este projeto é uma oportunidade de introduzir a tecnologia nas aulas e fomentar o interesse de alunos, professores e comunidades, contribuindo para o ensino de qualidade. Apesar da adesão ao PROUCA estar abaixo do esperado pelo governo, ainda há tempo de exigir das prefeituras brasileiras uma modernização e maior comprometimento com o ensino. É um instrumento para colocar o Brasil no caminho do desenvolvimento social e econômico, à altura dos desafios da competitividade global.

 

* Fabio Tagnin é Diretor de Expansão de Mercado da Intel Brasil

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